25 de novembro de 2008



Não pretendo um amor sólido tendo em vista a grande possibilidade de um sólido se romper à menor mudança de temperatura de pressão.

Pretendo um amor líquido
que se adapte a qualquer recipiente e, sorvido em grande goles, molhe os lábios escorra pelo pescoço e umedeça os países ao sul do continente. líquido, para que, aquecido, evapore suba ao céu chova sobre mim encharque o chão tire essa tal segurança de debaixo dos meus pés deixe lama entre meus dedos.

Não pretendo um amor assim, concreto,
não pretendo um amor assim, rígido, não pretendo um amor, assim, sólido mas líquido incerto insólito.

E se uma frente fria vinda diretamente da Patagônia
torná-lo gelo, frio, pedra, que baste deixá-lo ligeiramente exposto ao seu olhar e ele, regredindo a seu estado original, volte a matar essa sede amiga, inseparável, do sertão de nós."

:: André Gonçalves ::

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