16 de dezembro de 2008

- me beija.
- hãm?
- eu disse pra você me beijar...
- te beijar?
- é.
- mas... mas e amanhã?
- o quê tem amanhã?
- se eu te beijar... o que vai acontecer amanhã?
- ah, sei lá... quem é que sabe do amanhã? eu sei do agora, e agora eu quero um beijo teu.

[silêncio]

- sabe... quando não há sentimento, o amanhã é como um papel branco, um dia branco. e quando há sentimento, o amanhã é feito tubinhos de tinta querendo colorir toda a brancura de incertezas dos dias. Me beija, anda...

[beijaram-se]

e mais tarde, na cama, deitada ao lado dele, ela cruzou as mãos e pediu a Deus que o sol nascesse de um colorido demasiado."

:: Luana Cavalcanti

Um comentário:

Tatiana disse...

" somos diferentes, tu e eu
tens forma e graça
e a sabedoria de só crescer
até dar pé
eu não sei aonde quero chegar
e só sinto uma coisa
- que não sei qual é!
és de outra pipa
e eu de um cripto.
tu, lipa.
eu, calipto.

(...)
dizes na cara
o que te vem à cabeça
com coragem e ânimo.
hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
tu, tano.
eu, femismo ".

Veríssimo...