25 de novembro de 2008



Não pretendo um amor sólido tendo em vista a grande possibilidade de um sólido se romper à menor mudança de temperatura de pressão.

Pretendo um amor líquido
que se adapte a qualquer recipiente e, sorvido em grande goles, molhe os lábios escorra pelo pescoço e umedeça os países ao sul do continente. líquido, para que, aquecido, evapore suba ao céu chova sobre mim encharque o chão tire essa tal segurança de debaixo dos meus pés deixe lama entre meus dedos.

Não pretendo um amor assim, concreto,
não pretendo um amor assim, rígido, não pretendo um amor, assim, sólido mas líquido incerto insólito.

E se uma frente fria vinda diretamente da Patagônia
torná-lo gelo, frio, pedra, que baste deixá-lo ligeiramente exposto ao seu olhar e ele, regredindo a seu estado original, volte a matar essa sede amiga, inseparável, do sertão de nós."

:: André Gonçalves ::


Sabe aquela sensação de que tudo vai explodir? O coração bate depressa...
...as pernas tremem...

...o sorriso invade a alma...

É como se o corpo inteiro estivesse sorrindo! Quando se está junto, o tempo não vale nada! Quando se está separado, o tempo sofre de saudade e ansiedade! Se olharmos os dias, são poucos, mas se somamos às horas e multiplicamos os segundos percebemos que existem mais números que somente dois dos dias. Se multiplicarmos as quantidades de palavras e somarmos os sentimentos, perceberemos que se torna inútil contar somente as horas, ela é pouco comparada com a intensidade dos dias. E cada vez que eu lembro dos sorrisos, adiciono os carinhos e multiplico a intimidade de quem já se conhece a tão pouco tempo, eu percebo que o tempo é relativo e que bom mesmo é estar com você.

"... Acho que amar é isso. Saber dar sem garantias.
Sem exigir nada em troca. Arriscar, acreditando que vai dar
certo. Sem olhar pra trás e se arrepender porque deu errado
ou porque não era bem assim que você planejou. Acho que
amar é a incondicionalidade. Não impor condições. Não
ter prazo de validade. Não sei nada sobre amar, mas
desconfio que não tem nada a ver com certezas."


:: Brena Braz ::

Qual a sensação de viver à sombra de um vulcão?

*

Certamente, tão quente quanto a larva. Não fere, mas é uma força da natureza que mostra seu poder a cada beijo encandecido!

Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento.


Alegria – Bloco de carnaval que não liga se não é fevereiro.
Bondade – Aquilo que sai do coração quando a torneira está aberta.
Certeza – Quando a idéia cansa de procurar e pára.
Dor – É tudo aquilo que dá vontade de dizer “ai” lá de dentro do peito, seja topada, perda, cascudo ou abandono.
Encontro – A reunião formada pelo que procurava, pelo achado e pelo acaso.
Fidelidade – Um trato que você faz com você mesmo de cumprir os tratos que você fez com os outros.
Gula – Quando chocolate é mais importante que espelho.
Harmonia – Quando os olhos, os ouvidos, a boca e o coração sorriem ao mesmo tempo.
Irritação – Um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito.
Joaninha – Bichinho que deve ter nascido num dia em que a Criação estava especialmente bem-humorada.
Loucura – É coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.
Mãe – É aquilo que dá vontade de gritar quando a gente não sabe o que fazer.
Namoro – É quando o universo inteiro em volta importa menos que o abraço.
Ousadia – É quando o coração diz para a coragem “vá” e a coragem vai mesmo.
Perdão – Quando o Natal acontece em maio, por exemplo.
Quase – É o curinga de toda incerteza.
Recordação – Quando um pedacinho do passado volta ainda mais enfeitado.
Sentimento – A língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
Trégua – Um pedacinho de paz espremido entre duas lutas.
Urgente – Algo que não dá tempo de fazer xixi primeiro.
Vontade – É um desejo que cisma que você é a casa dele.
Xeque-mate – Quando só resta ao rei imitar o poeta e pedir um tango argentino.
Zangado – Um anãozinho da Branca de Neve que baixa na gente de vez em quando.

:: Adriana Falcão ::